quinta-feira, 18 de junho de 2009

Resenha: Humor na Informação



O texto “O Humor na Informação”, escrito por Luiz Costa Pereira Junior, para a Revista Língua Portuguesa, em fevereiro de 2009, relata a importância do humor para o texto jornalístico, baseando-se em pesquisadores, professores e publicações de diversos jornais.
A tendência humorística nos textos jornalísticos há algumas décadas está em alta, e a cada dia é mais explorada. Com o desprestígio cada vez maior ao sensacionalismo, os escritores precisam inovar na sua maneira de escrever, utilizando de recursos lingüísticos como a ambigüidade semântica e a malícia discursiva para atrair o leitor, porém estes recursos devem ser utilizados com cuidado para não distrair a atenção do leitor da informação.
Com a intenção de dar uma nova roupagem à notícia, os jogos de palavras vêm sendo cada vez mais utilizados pelos editores e criadores de matérias jornalísticas. As celebridades da televisão são o maior foco desse tipo de matéria, a exemplo disso o jornal Meia Hora publicou “Luana não tem mais Dado em casa”, ao falar do fim do relacionamento de Luana Piovani e Dado Dolabela.
Diante de uma sociedade sofredora, o humor no jornalismo, surge como uma forma de amenizar a dor cotidiana do leitor, o que é defendido por pesquisadores, como Ana Rosa Ferreira, pois se a língua tem esses mecanismos, eles devem ser usados, ainda mais em uma época em que busca-se a informação mais acessível ao público.
Com a pouca aceitação do público para balelas e sensacionalismo, o que diferencia o bom jornalismo é a qualidade de suas informações. Se os jornais não investirem em qualidade, não vende, pois além da existência de outras medias como telejornais, internet, entre outros, não sobra dinheiro pra gastar com um jornal de pouco conteúdo e coisas inventadas.
Segundo a professora Ana Rosa, hoje não há mais espaço para o tipo de fórmula “espreme-sai-sangue”, que foi uma marca do jornalismo, entre os anos 50 e 80, que enfocava o escândalo em suas matérias. Como um produto a notícia deve ser cada dia mais atrativa, para se adequar às leis do mercado, já que as noticias podem ser obtidas gratuitamente em outros meios de comunicação. Pensando nisso, os jornais começaram a incluir em suas matérias, elementos da língua capazes de produzir o humor na informação, construindo assim um novo gênero.
O desprestígio do jornalismo apelativo, marcado pela invenção e distorção de notícias, abre espaço para o humor, que é bem aceito pelo público, que busca informação relevante de uma maneira agradável.
Nesse contexto, em que o humor se torna tão prestigiado, deve-se ter o cuidado ao empregar os recursos humorísticos no texto. Há casos em que eles não são bem aceitos, como no caso de uma tragédia ou um crime hediondo. O mau uso desses recursos também pode deixar o texto infantilizado e perder o enfoque principal, que é a notícia. Apesar disso, os jogos lingüísticos são ótimas ferramentas para o jornalismo, como defende a professora Ingedore Koch, que acredita poder haver humor na informação, sem precisar apelar ao sensacionalismo, e que a finura desse humor vai depender do veículo de comunicação.
O humor torna-se importante também pela proximidade que ele traz da notícia com o leitor, com uma linguagem direta e acessiva a este público. Quando o fato é de pequena importância, é preciso dar um pouco mais de sabor, da mesma maneira que se precisa de uma “tradução” a casos mais complexos, procurando a melhor maneira de atrair seu público-alvo.
Diante do grande enfoque ao humor no texto jornalístico, cabe a pergunta: Qual o limite desse recurso? Para Bruno Tyschler, “o maior problema do gênero é mesmo errar a piada”. A língua possui seus recurso e ferramentas, e se eles estão presentes em nosso cotidiano, também devem ser usados na construção do texto jornalístico, deixando-o menos careta e trazendo maior proximidade com o leitor.


PEREIRA JR, Luiz Costa. O Humor na informação. In: Revista Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Segmento, 2009.

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